Segue abaixo um e-mail enviado para a lista de tradutores do Ubuntu Brasil para ler toda a discussão clique aqui:
Olá Amigos,
Fico super feliz por todos refletirem a respeito disso. Há várias opiniões gostaria de expor um pouco da minha.
Gostaria de informar a todos, que estou na tradução do Ubuntu desde 2007 e tenho tentado não impor nada, tudo que for polêmico será discutido e a maioria irá ganhar, como deve ser na democracia.
Tenho buscado padrão para várias palavras desde que assumi a liderança deste time, ao qual julgo ser bem importante.
Pelo que já foi dito leiaute é aceitado pela maioria. Porém sítio não e arcabouço é duvidoso. (a terceira palavra não fui eu quem sugeriu), apareceu durante as discussões).
Gostaria de lembrar-lhe que adotamos o padrão da ABL, Academia Brasileira de Letras, dentre várias regras estão:
- Sempre que houver palavras que caibam bem em nossa gramática, por mais que soe estranho, por haver uma correspondente em nossa língua, será usada.
- Só haverá inicial maiúscula quando nome próprio ou início de frase (quando couber, se na string original não tiver não precisa ser maiúsculo)
Bem, não nego que seja bem diferente dizer sítio, mesmo sendo o termo correto. Então para que haja democracia, declaro aberto a enquete, se bem entendi é possível deixar comentário para quem assim desejar. A enquete será fechada no dia 10 de março do corrente ano.
Desde já agradeço a todos pela vasta discussão, (para votar será necessário permitir o pop-up ou clicar em:
Meu twitter: @AndreGondim
Abraços e boa sorte!! ![]()
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As vezes é melhor usar o bom senso no lugar de simplesmente aceitar o senso comum.
Agora está corrigido!
Abraço!
Há não muito tempo eu era (como toda pessoas mais ou menos estudadas) um crítico de termos estrangeiros e dos que falavam de forma diferente da que se tinha considerado correto.
Pra resumir a história, pela internet fiquei sabendo de um tal “Marcos Bagno” e da linguística, e suas descobertas me deram um choque cultural. Hoje vejo que era tudo bobagem pasqualizante. Nem o mundo, nem a língua nem o país vai acabar por sofrer influência da língua inglesa — hoje inglesa, ontem francesa, árabe, grega etc etc etc; amanhã, quem sabe, chinesa.
Primeiro porque é ABSOLUTAMENTE inevitável que termos sejam emprestados de outras línguas. Não importa o quanto alguém se esforce para tentar acabar com isso que é considerado um “mal” na língua.
Acredite TODAS as línguas do mundo sofrem, sofreram e vão continuar sofrendo influências externas. Por incrível que possa parecer NENHUM mal se abateu sobre o mundo pelas pessoas usarem palavras advindas de outras línguas.
Depois, *não* é benefício para ninguém sacrificar a compreensão das traduções em favor de purismos linguísticos. No caso em particular, a palavra “site” é muito mais compreensível pela maioria dos usuários comuns e brasileiros em geral que, “sítio” (que para nós brasileiros significa um pedaço de terra na zona rural).
E o mais chocante, *não* traz qualquer benefício tentar impor às pessoas como elas devem falar seu próprio idioma. Por mais que possa parecer, a língua não vai se auto destruir (nunca aconteceu até hoje) se os policiais de plantão da língua nada fizerem pelo purismo de nosso idioma… não, ela não vai sucumbir ou virar um monstro linguístico.
Por fim, se você teve paciência de ler até aqui, e considerando a importância da sua incumbência de liderar a tradução da distro de linux mais promissora do mundo e que afetará centenas de milhares de brasileiros, sugiro que leia sobre o que a linguística (dois artigos de Bagno) fala sobre estrangeirismo:
http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/arquivos/for_crystal.htm
http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/arquivos/art_carosamigos-maio09.htm
Na paz,
Eduardo Willians
Sugiro verificar!
Quanto à palavra sítio, não entendo como “norma culta” e sim como “senso comum”!
Essa mudança vai apenas afastar novos usuários do Ubuntu. Para mim, uma péssima decisão.
Se alguém não tomar a iniciativa e utilizar um português escorreito, a população vai ser condicionada a continuar no errado e permanecer na ignorância (que alguns gostam de chamar de “senso comum). Por isso voto pelo fim dos estrangeirismos e pelo uso apenas de vernáculo oficial.
Pelo visto precisam rever mais posições, pois as 2 opções que estão julgando não me parecem corretas.
“A única opção para site não é “site””
quis dizer:
“A única opção para site não é sítio”.
O mais importante na tradução é transmitir a informação necessária ao usuário, então é importante falar com uma linguagem que ele compreenda. Estrangeirismos não são o maior problema, a meu ver o maior problema são o que chamo ‘transliterações’ ao invés de traduções, onde ocorre uma tradução direta das palavras e frases do idioma original, ao invés de uma interpretação do conteúdo do texto.
É sempre bom ver iniciativas como esta sobre questões que poucas pessoas tratam. Acho que temos pessoas que acham “chique” falar termos em inglês, “Meu servidor esta up-to-date”, ou o cargo que ocupam em uma grande empresa. Nesta questão admiro os países de língua espanhola, pois fazem a tradução dos termos em inglês para seu idioma. Quando ouço estes estrangeirismos, sempre uso minha frase predileta, “Please, speak portuguese”. Assim consigo com meu interlocutor, quase sempre, uma tradução correta para o português.
http://devlog.waltercruz.com/quase-50-da-web-ja-e-unicode
Não sei se foi só comigo, mas alguém usando windows pode ser facilmente enganado.
Abraços!!
Aliás, esse site é uma desgraça para quem não tem adblock. Ou foi especificamente com o intuito de atrapalhar a vida de usuários de IE no windows, ou realmente falta bom-senso ao webdesigner.
Mas sugiro que a metodologia para a escolha seja casuista. Avaliem palavra a palavra, em vez de estabelecer uma ‘política geral’ para a tradução como um todo. Acredito que disso resultará uma tradução melhor.
Já que são adaptadas do inglês, preferia que o original fosse utilizado, já que são mais difundidas.
Talvez se fosse o caso poderia ser acrescentada as 2 versões da tradução para download, desta forma atendendo a todos.
De toda forma, vai passar pelo “site”, o que mostra que a decisão não é tão boa assim.
Não sou contra termos estrageiros (mouse sempre será mouse…), mas é preguiça simplesmente aceitar os termos estrangeiros sem antes pensar se não seria melhor usar palavras da nossa língua.
Eu sou analista de sistemas, trabalho com termos estrangeiros o dia inteiro, tem alguns programas que eu nem penso em usar em português porque os termos técnicos traduzidos as vezes atrapalham, mas eu sei que sou uma exceção, nesse caso é melhor que o programa esteja em bom português para o melhor entendimento da maioria e deixar que os usuários mais técnicos, como eu, usem em inglês se preferirem.
Vocês, como tradutores oficiais, têm a responsabilidade de não se curvar a esse suposto senso comum (senso comum de quem não conhece a própria língua) e tentar jogar o nível linguístico da comunidade para cima. Se vocês continuarem utilizando a sua inteligência e o estudo para melhorar o nível do português utilizado pela comunidade, todos ganharão. Por outro lado, se adotarem uma abordagem populista de usar o português das massas, daqui a pouco teremos “ativar rebolation” como opção de menu
keep up the good work!
fabio.
Porque não usar uma locução (duas ou mais palavras com função de uma)?
Porque o mesmo termo deveria ter a mesma tradução em TODAS as “telas”, de TODOS os programas em que aparece, sem observar o contexto?
Exemplos:
“Keyboard layout” ficaria melhor como “Modelo de teclado”;
“Page layout” ficaria entre “Modelo de documento” ou “Esquema do documento”;
“Site” poderia muito bem ser traduzida como “Página na Internet”;
É bom lembrar que traduções/adaptações irrefletidas incorreram em absurdos como:
“Inicializar” e “Startar” em lugar de “Iniciar” ou simplesmente “Ligar”;
“Entrar” em lugar de “Inserir” (“Entre sua senha” em vez de “Insira sua senha”);
“Atachar” em lugar de “Anexar” (acreditem, isto exite!)
“Printar” em lugar de “Imprimir” (acreditem-2, isto existe!)
Acho que a discussão não é: “Tradução correta(?) X senso comum”,
mas sim: “Tradução literal X mero senso comum X expressão imediatamente inteligível”
Reforçando: “leiaute” é tão ou mais ridículo que “layout”. Ambas devem ser rejeitadas.
Agora vem esta história de substituir “site” por “sítio”, usando novamente a justificativa de ser o recomendado pela ABL. Primeiro que eu duvido que os defensores usem o termo “sítio” cotidianamente. Outro ponto é que em traduções deve-se manter o mesmo grau de formalidade/informalidade do conteúdo original. Argumentar que devemos usar a “forma culta” em detrimento da coloquial é uma bobagem. Antes da interface ser rigorosamente correta ela deve ser amigável. Usar uma linguagem simples desarma o usuário deixando-o mais a vontade.
E por último, usar “sítio” por causa da ABL é novamente ser mais real que o rei. Se a própria ABL usa o termo “site” no site deles – no menu principal há o link “Mapa do site” e não “Mapa do sítio” e na notícia em destaque no momento que escrevo este comentário lê-se “ABL lança o Site Joaquim Nabuco como parte das comemorações [...]“-, por que nós não o usaríamos também em nossas traduções se eles usam?
Nossa! Acabei de ver o site da ABL e comprovei, está escrito em letras quase garrafais: “Mapa do sitE”.
André, em todas as coisas que você vem escrevendo você tem dito “o correto é…”. Mas tente entender de outra forma, você está levando em consideração que o que seria “correto” é o que prescreveria a gramática normativa. Mas assim como nós do software livre nos opomos à arbitrariedade da Microsoft (entre outros), há também a ciência lingüística (disciplina hoje estudada nos cursos de letras) que têm se oposto à arbitrariedade dos gramáticos brasileiros.
Essa idéia de falar “certo” e falar “errado” é absolutamente infundada. Os brasileiros estão tomando por base uma gramática criada em Portugal há mais de cinco séculos, e os gramáticos tentam subjugar a língua pátria com regras que só eles conhecem, chamando isso de “certo” e aquilo de “errado”, como se a língua pertencesse aos “iluminados”, e somente eles realmente saberiam falar. Bobagem.
Não cabe ao Pasquale dizer o que é certo ou errado na língua, as pessoas continuarão se comunicando com ou sem Pasquale.
Como o Luiz Armesto argumetou o purismo de tentar empregar “site” é tanto que nem o próprio site da ABL usa “sítio”, mas emprega diversas vezes o vocábulo “site” (http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=470). Veja a falta de consistência em se afirmar que “sítio” é correto.
Ainda sobre o assunto eu re-publiquei um artigo que mostrava que nem mesmo Camões seguiu a tal “língua de camões” — provando que a tal língua “correta” só existe na cabeça dos gramáticos (link: http://pycappuccino.blogspot.com/2010/02/pratos-que-se-lavam-sozinhos-so-na.html)
Pode até parecer loucura o que estou eu e Armesto tentando dizer, mas aqui tem muito pouco espaço para eu tentar expor tudo, por isso peço que ao menos se inteire das publicações dos linguistas — que como nós linuxistas — se opõe a um paradigma ainda presente na nossa sociedade.